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© 2020 BY FELIPE HENRIQUE GAVIOLI

NOTURNO

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[PT] Um caminho fotográfico que traço sobre o gênero 'Noturno', que na música sinfônica foi uma nomenclatura adotada para designar que o andamento ou peça musical seria executado como assim pede, a noite. Eram poemas sinfônicos que tinham o intuito de "ilustrar" os meandros noturnos, que em séculos remotos eram verdadeiras odisseias para o homem solar. Com o avanço da humanidade e da tecnologia, o gênero foi se transformando, mas a sua essência já havia fincado a pauta.

No período romântico (século 18), as peças já não tinham a necessidade estilística de serem executadas à noite. Com a volta do homem para si pós período renascentista, com os avanços no campo da harmonia e construções musicais, bem como o hibridismo das artes plásticas, regionalismos e culturas, o campo musical enriqueceu também com as experiências afloradas pelos demais meios de manifestações artísticas. O gênero então ganhou expressividade, riqueza melódica, contrapontos instrumentais, melancolia, mas manteve as cores e ares noturnos.

Baseado nessa manifestação musical, que ora alenta pelas doces passagens harmônicas, que ora provoca tensões pelas cordas rangendo graves, ou descendo agudas como uma via escorregadia, escura e longa; o gênero impacta, assombra, emudece, marca. O gênero forma na nossa contemporaneidade uma banda sonora para as grandes cidades. Suas passagens que pediam a reflexão sobre os claustros noturnos, a procura pelos segredos misteriosos da natureza, bem como uma vasta porção de indagações populares, que mantinham a sociedade sob controle, ao menos pós-idílio crepuscular, agora já não fazem mais sentido, senão ilustrar e pedir para serem rearranjadas não apenas como memórias, mas como elemento artístico ativo.

A música, para mim, é a principal fonte de energia para criações fotográficas instantâneas. Posso estar com fones nos ouvidos, ou simplesmente caminhar e me deparar com a cena, que com absoluta certeza poderá ser ilustrada por uma canção que foi tocada em anima por alguma nota musical, nem que seja pautada pelo silêncio quase impossível e melancólico de uma cidade. São ruas ou becos que estão incrustados sobre passagens banais, mas que ali escondem texturas ou sombras magníficas, penetrantes, inconclusivas. São pessoas que não queremos conhecer, que não vamos conhecer, que um pouco importa ao outro, mas que são objetos de contraluz. É o indivíduo em essência, observando, palpando, sendo peso. É a pequena alegria, é o rancor, é o sorriso remendado, é o medo, é o desfecho cinemático. Essas fotografias são os noturnos musicais de séculos, presentificados e readaptados em um arranjo simples, pautado pelo altivo desafio de viver e ainda sentir.

 

[EN] A photographic concept supported on the musical genre 'Nocturne', which was a symphony in music nomenclature adopted to describe the progress or piece of music would run through the night. Were symphonic poems that had the intention to "illustrate" the intricacies night, which for centuries were true remote odysseys for the solar man. With the advancement of humanity and technology, gender was turning but the essence, the staff had already stuck.

In the Romantic period (18th century), the parts they no longer need to be executed stylistic night. With the return of man to himself after the Renaissance period, with advances in the field of harmony and musical constructions and hybridity of visual arts, and regionalisms cultures, the field of music also enriched with the experiences touched by other means of artistic expression. The genre then won expressiveness, melodic richness, instrumental counterpoints, melancholy, but kept the colors and the air at night.

Based on this musical manifestation, which now encourages the sweet harmonic passages, which sometimes causes tension across the strings creaking grave, acute or down as a road slippery, dark and long, the gender impacts, haunting, mute, mark. The genre in our contemporary forms a soundtrack to the big cities. His passages calling for reflection on the cloisters at night, the search for mysterious secrets of nature, as well as a large portion of popular questions that kept a company in control, at least after twilight idyllic, now no longer make sense, but to illustrate and ask to be rearranged not only as memories, but as an artistic asset.

Music for me is the main energy source for instant photo creations. Can I be with headphones, or simply walking and stumbling upon the scene, with absolute certainty that can be illustrated by a song that was played in for some anima musical note, even if it is almost impossible guided by silence and melancholy of a city. Streets or alleys that are encrusted on banal passages, but there hide magnificent textures and shadows, penetrating, inconclusive. These are people who do not want to know that we will not know that it matters little to one another, but objects that are backlight. It is the individual in essence, observing, palpating, and weight. It is a small joy, is the rancor, the smile is patched, the fear is, is the cinematic outcome. These photographs are the nightly musical centuries, made present and adjusted in a simple arrangement, guided by the lofty challenge of living and still feel.

 

Para ouvir/For listening:

Schnittke: 
String quartet No.1 (movement I) 
Kronos Quartet
http://goo.gl/s9zLcH

Tristan Murail:
Winter Fragments Pour Ensemble Instrumental, Sons de Synthèse Et Dispositif Électronique
Argento Chamber Ensemble, Michel Galante & Erin Lesser
https://goo.gl/WFMNuP

Peteris Vasks: 
Book, for solo cello, II - Pianissimo
Kristine Blaumane, violoncello 
https://goo.gl/hvbgvA

György Ligeti: 
String Quartet N° 1/2 "Métamorphoses nocturnes"
Hagen Quartet
https://goo.gl/CnugZk